4 de jun de 2010

02/06 Bergün a Scuol - 60km

A ideia de cruzar o Albulapass foi deixada de lado assim que eu acordei: chuva, neblina e muito frio. Isso significa que no Passo o tempo estaria mais frio ainda e eu não quis arriscar fazer esse trecho sem ter roupas apropriadas, principalmente depois de ter sentido na pele (literalmente) o frio em San Bernardino. A solução então foi pegar um trem para atravessar o Albulapass e continuar viagem a partir dessa próxima cidade, que no caso era Samedan. Saí de Bergün às 12h15 e meia hora depois estava lá. Comecei a pedalar ainda com muito frio mas um frio suportável. O interessante é que Samedan (e todo o vale no sentido de Scuol) está entre 1700 e 1600m, por isso o frio. A inclinação no sentido que eu estou indo hoje é como uma descida suave por todo o vale, o que tornou a viagem relativamente fácil. Só em alguns trechos a estrada não acompanha a margem do rio e acaba subindo em umas trilhas das montanhas ao lado, mas nesses casos são quase sempre trechos curtos. Fiz vários downhills na terra quando passei por esses caminhos, o que garantiu o dia de maior aventura no pedal. Parecia mais trilha pra mountain bike do que pra viagem. A bike aguentou muito bem o tranco, como tem sido até então. Faltando uns 10km pra chegar em Scuol, eu tava parado na beira da estrada pra descansar um pouco e vi chegar uma senhora de bike (uma Trek Fuel das completas) e alforjes traseiros. Ela também encostou no acostamento e começamos a conversar. Fiquei sabendo que ela é de Sills (Suíça), uma cidade da região de Graübunden (que inclui San Bernardino, Splügen, Thüsis, Tiefencastel, Bergün etc), está viajando por 3 semanas por essa região, aproveitando uns dias de férias pra largar o marido/trabalho, tem 60 anos (!) e acabou me indicando um hotel em Scuol. Acabamos pedalando juntos até a cidade e fomos para o hotel, onde eu me acertei na recepção e consegui um quarto pra mim por uma noite. Agradeci a tia pela dica e depois não vi mais ela. Vi poucas pessoas viajando de bike como eu até agora. Fora essa tia, encontrei outros dois suíços ontem, dois ingleses em Dijon, um inglês em Brig, um cara sei lá de onde num camping em Bellinzona, dois alemães num resturante em Splügen e dois americanos descendo o passo de San Bernardino no sentido contrário. O que vi muito até agora foi gente andando de mountain bike por toda a Suíça, normalmente em duplas ou trios, com bikes top e sem mochila nenhuma, provavelmente por serem moradores da região fazendo passeios de um dia apenas. O tempo ainda não é o ideal pra viajar de bike por aqui e acho que do meio de junho em diante, quando o calor começar a chegar mesmo, vou encontrar mais gente como eu. A tia hoje me disse que o inverno esse ano durou umas 3 semanas a mais que o normal em toda a Europa. Ela disse que não era mais pra estar fazendo esse frio que tem feito nos últimos dias. O que interessa é que a tendência é esquentar aos poucos daqui pra frente. Amanhã vou tentar chegar em Landeck, minha primeira parada na Áustria. A Suíça foi um país que eu gostei muito e vai deixar saudades. Mas sei que Áustria não vai ser muito diferente. Veremos.

Um comentário:

  1. Ah! se todas as pedras de nossos caminhos nos levassem para paisagens tão tranquilas e lindas...Adorei a fumacinha da chaminé!

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