29 de dez de 2009

Bike quase pronta

A bike está sendo montada aos poucos mas preciso ter ela pronta bem antes do início da viagem pra poder treinar e adaptar meu corpo a sua geometria e peso. Já estou com os alforjes mas tirei as fotos sem eles por enquanto. Depois coloco outras.

Trek 3700 quase pronta


Garfo rígido Surly e pneu Schwalbe Marathon Plus (26x1.75)


Encaixe do rack Tubus Cargo na furação do quadro


Encaixe do rack visto por trás


Sistema de montagem do rack (se adapta a qualquer tipo de quadro)


Chainstay longo pra facilitar o encaixe do alforje


Selim Brooks B17, destoando da configuração


Ranhura do Marathon (a borracha é muito mais rígida do que outros que já usei, por exemplo o Tioga City Slicker)


Em breve mais fotos!

Abs

25 de dez de 2009

Cicloturismo - Dúvidas comuns

Relatei aqui no blog as escolhas que fiz na preparação da bike para minha viagem. Precisei analisar vários aspectos pra cada um dos itens. Muitas das escolhas são técnicas e muitas outras são simplesmente por conta de gostos e preferências pessoais. Talvez por isso que não existam 2 bikes exatamente iguais no cicloturismo. Cada um monta sua bike como prefere, de acordo com seu orçamento, duração da viagem, tipo de viagem, conforto, etc. Muitas das dúvidas que eu tive (e resolvi) estão listadas abaixo:

O que é melhor? Alforje ou carrinho (trailer)?

Vou com 2 alforjes traseiros, dois dianteiros e uma mochila de guidão (handlebar bag). Cada um tem suas vantagens. O carrinho pode ser facilmente desengatado da bike, de forma que ela fique leve e ágil pra outros usos que não seja a viagem em si. Isso te dá liberdade de fazer pequenos trajetos ou trilhas durante sua viagem. Por exemplo, você pode deixar o carrinho num hotel/pousada e sair de manhã para fazer sua trilha com a bike durante o dia todo, sem ter que carregar nada além do necessário.


Bike com carrinho

Por outro lado, ele exige um cuidado maior na direção da bike, já que o centro de gravidade e estabilidade ficam alterados. Você também passa a ter maior atenção com buracos pois a roda menor pode sofrer mais para passar em obstáculos mais difíceis. Por tornar a bike mais longa, estacionar com o carrinho em certos lugares pode não ser tão simples do que uma bike com alforjes. Eu optei pelos alforjes por preferir a bike mais compacta, num "bloco" só, e por saber que queria levar o mínimo possível de bagagem.

Acho que o carrinho, apesar dos benefícios, pode incentivar você a incluir mais itens na bagagem, simplesmente por te dar mais espaço. Tem gente que vai com o carrinho e os alforjes (imagine o peso!) mas aí eu já acho que tem algo de errado na lista de itens que o cara tá levando na bagagem... rsrs Mas, mais uma vez, apenas uma questão de preferência pessoal. Se você acha necessário levar tudo isso de carga, vá em frente.

Rodas 26" ou 700c?

Optei pelas rodas/pneus de 26" simplesmente por serem as mais populares. É muito mais fácil encontrar um pneu 26" em lojas em qualquer lugar do mundo. Pra quem não sabe, as rodas 700c são maiores, equivalentes à 27", como as da Caloi 10. Especialmente no Brasil, é difícil encontrar opções de pneus 700c de larguras maiores, próprias para cicloturismo. Como minha MTB usa rodas 26", a adaptação ficaria ruim pelo espaço limitado entre as rodas e o garfo, o seat tube, o ajuste dos pivôs dos freios, etc. Não tenho dúvida de que se eu tivesse condição de comprar uma bike específica pra cicloturismo iria me adaptar muito bem com os pneus 700c. Eles rodam melhor na estrada, etc. Mas por uma questão de gosto grana mesmo, optei por adaptar minha mountain bike e aí segui com as rodas 26" mesmo.

Acampar ou dormir em albergues?

Se sua viagem tem que ser a mais econômica possível, com certeza você deve acampar. Um camping na Europa sai em torno de 5 a 10 euros, contra 20 a 25 euros a diária de um albergue. Em contrapartida, você terá que transportar na sua bike todos os utensílios de cozinha, barraca e saco de dormir, entre outros acessórios. A bagagem pode dobrar de peso por isso. Quem acampa também tem que acordar mais cedo pra ter tempo de desmontar a barraca, preparar seu café da manhã, limpar o que for preciso e colocar tudo de volta na bike pra seguir adiante. Isso sem contar na diferença de conforto entre dormir numa barraca e num quarto com uma cama, depois de um dia inteiro de pedalada.

Penso que o acampamento é útil, necessário e obrigatório em alguns lugares do mundo como, por exemplo, o deserto do Atacama, da Mongólia ou no interior da Austrália. As distâncias são longas, as cidades distantes umas das outras e o acesso à tudo é muito difícil. Nesses casos em que o cara tem que ser auto-suficiente, o camping faz todo o sentido. Como minha viagem não tem essas características, optei por viajar com pouco peso e me hospedar em albergues. Pretendo fazer, no futuro, uma viagem em que eu vá preparado pra acampar também.

Comprar a bike no exterior ou adaptar uma aqui?

Essa dúvida ficou na minha cabeça por um bom tempo. Comprando a bike no exterior eu teria a possibilidade de comprar um modelo próprio para ciclotour (que não existe no Brasil) e, claro, pagar mais barato. Por outro lado, isso me consumiria alguns dias indo em lojas e fazendo acertos básicos na bike antes de começar a viagem, exigiria que as medidas da bike fossem exatas pro meu tamanho de forma que eu não sofresse com dores durante o pedal e, o principal, eu teria que estar adaptado a pedalar numa bike com essa geometria diferente. Eu teria treinado 6 meses no Brasil com um tipo de bike, posição e pegada pra chegar lá e fazer a viagem numa bike bastante diferente com o que eu estava acostumado aqui. Não queria ter surpresas com isso por lá. Como iria acabar tendo que adaptar algumas coisas pra que a bike nova ficasse com medidas como as daqui, optei por adaptar a mtb aqui mesmo e contar com a vantagem de ir com uma bike com a qual eu já estaria familizarizado. A melhor bike seria aquela que meu corpo já conhecesse.

Comprar peças de bike (racks, alforjes, etc) no Brasil ou do exterior?

Olha, fiz MUITA conta pra saber qual opção valia mais a pena. De uma forma geral, tudo que você compra do exterior, pela internet, costuma sair um pouco mais caro do que aqui. Algumas vezes sai bem mais caro e algumas vezes sai bem mais barato e aí eu acho que uma coisa compensa a outra. A grande vantagem é que comprando no exterior você tem acesso a produtos que NÃO estão a venda no Brasil, você pode escolher exatamente o produto que quer (porque a oferta de produtos por lá é muito maior, são muito mais opções), o atendimento costuma ser melhor que no Brasil (o site tem todas as informações detalhadas dos produtos e o atendimento é bem eficiente) e a entrega costuma ser bem rápida (uma ou duas semanas, mesmo no envio standard). Os sites que usei foram: Wiggle.co.uk, JensonUsa.com, ChainReactionCycles.com e Evanscycles.com.

Minha sugestão é que você pesquise bastante, use o Google, acesse os fóruns do Brasil e do exterior pra saber se tal produto é recomendado e compre, sem medo. Essas empresas estão no mercado a muito tempo e estão preparadas pra vender pro mundo todo. A estrutura deles é muito boa e eficiente. O único porém é que o produto pode ser taxado pela Receita Federal ao chegar aqui no Brasil. Sempre que sua encomenda for taxada, além de sair mais caro, ela demorará bem mais para chegar na sua casa. O cálculo do imposto de importação é feito da seguinte forma:

Valor final que você vai pagar = Valor total da encomenda (incluindo frete) + 60%

Exemplo: você compra um produto de USD 150 e a loja te cobra USD 20 de frete internacional, dando um total de USD 170. Adicione 60% de imposto (USD 102). O valor total é USD 272. Com base na cotação do dólar de hoje, você vai ter pago, no fim das contas, algo em torno de 480 reais.

Se você tiver sorte, pode ser que algumas das compras sejam isentas de imposto pois a Receita não tem condição de taxar tudo o que chega. Eles selecionam as encomendas por amostragem. Pode ser que você faça 5 compras e apenas uma seja taxada. Pode ser que você faça 5 compras e todas sejam taxadas. Vai depender exclusivamente da sua sorte. Quanto mais baixo o valor, maior a chance de isenção já que a Receita deve se preocupar mais com itens de maior valor. Mas nada garante que um produto de USD 20 não seja taxada. O ideal é que SEMPRE que você for comprar um produto, em qualquer um desses sites, faça as contas como se você fosse pagar o imposto, inclusive pra efeito de comparação de preço com as lojas do Brasil. Isso evita surpresas e frustração com as compras e você estará preparado pro pior caso. Se for isentado, ótimo! Mas não conte com isso.

Espero ter ajudado!

Até mais!

23 de dez de 2009

Bike - Garfo rígido e pneus

Garfo rígido ou suspensão?

Como parte da adaptação da bike para a viagem, considerei a troca da suspensão que tinha na minha bike (uma Rock Shox Dart 2, com 2,5kg) por um garfo rígido. Como falei em posts anteriores, vou rodar em 90% de asfalto bem conservado, então a suspensão se torna quase desnecessária. É assim que a maioria dos cicloturistas viaja pelo mundo. Outra vantagem é que o garfo rígido pesa bem menos, aliviando um pouco o peso da bike, que já ela vai estar bem "gorda" com a bagagem e tudo o mais.


Surly 1x1 Rigid Fork

Procurei em lojas e sites aqui no Brasil mas não encontrei o modelo que eu queria. Ou a espiga era curta demais ou não tinha a furação próxima do eixo para fixar o rack dianteiro. Fazer gambiarra nesse caso seria arriscado porque o rack fica o tempo todo sob tensão pelo peso do alforje e eu poderia ter problemas durante a viagem. A solução foi, novamente, recorrer às lojas online e importar. Consegui um garfo Surly 1x1 de cro-moly, próprio pra substituir minha suspensão de 100mm de forma que a geometria da bike não fosse muito alterada. Em relação ao peso, o Surly é bem mais leve: 1,1Kg, uma diferença de 1,4Kg pro Rock Shox.

Pneus

Na Gary Fisher, sempre rodei com os pneus originais que vieram nela, os Bontrager JonesXR 26x2.20. Até cheguei a comprar um par de slicks (sem cravos, quase todo liso) pra andar na cidade pois ia trabalhar com a bike. No fim, não achei muito prático ter que fazer a troca toda vez que fosse pegar trilhas ou participar de algumas competições.

Pra viagem, optei pelo slick novamente, dessa vez pra valer. A rolagem no asfalto é bem mais fácil (e silenciosa). Pesquisei vários modelos e vi que o mais recomendado para cicloturismo é o Schwalbe Marathon Plus. Ele tem uma camada interna de borracha SmartGuard, que torna o pneu virtualmente "infurável". Uma tachinha pode ser pregada nele sem furá-lo. Cheguei a ler relatos de gente que rodou 8.000Km com eles sem ter um único furo. O único problema é eles serem em torno de 200g mais pesado que a média dos pneus mas acho que vale pela resistência.


O SmartGuard (em azul) protege dos furos


Schwalbe Marathon Plus, semi-slick

Independentemente da resistência dos pneus, vou levar 2 câmaras extras. Nunca se sabe o que pode ter pelo caminho. Já furei o pneu no asfalto uma vez por passar em cima de um prego grosso de uns 8cm, que atravessou o pneu na diagonal. Com certeza nem um Schwalbe nem nenhum outro teria resistido. Não vou levar pneu extra pois a chance de estourar um pneu é muito menor do que eu achar uma bikeshop no caminho. Durante todo o meu trajeto, estarei sempre próximo de cidades e vilarejos e em alguns países da Europa dizem que toda cidadezinha que se preze tem, pelo menos, uma farmácia e uma loja de bikes... rsrsrs.

Em breve postarei umas fotos da minha bike com todas essas adaptações. Pretendo fazer um vídeo também, explicando o funcionamento dos alforjes da Ortlieb.

Obrigado pela visita e até mais!

22 de dez de 2009

Bike - Alforjes e selim

Alforje traseiro


Ortlieb Back Roller Classic Panniers

Ortlieb Back Roller Classic Panniers: existem alforjes de várias marcas e fabricados com materiais diferentes. Mais um item em que a escolha é difícil por terem tantas opções. Infelizmente aqui no Brasil não temos acesso a muitas delas, apesar de haver alguns modelos à venda como os das marcas Topeak, Curtlo, Deuter, Arara Una e Alto Estilo, entre outras. A questão é que quando os produtos existem no Brasil, o preço costuma ser muito salgado. A diferença de preço entre importar um produto top de linha do exterior e comprar os disponíveis no Brasil acaba sendo pequeno então, na maioria das vezes, vale a pena trazer de fora mesmo. Foi o que eu fiz. Depois muita pesquisa, optei pelos alforjes (panniers) da Ortlieb, tanto o dianteiro como o traseiro. Eles são considerados um dos mais resistentes, realmente impermeáveis (não precisam de capa para chuva) e tem o sistema de fixação mais prático que existe, chamado QL2. Colocar e retirar o alforje da bike é tão fácil que nem parece que ele está preso no rack. Assim que eu estiver com minha bike de volta da oficina, vou fazer um vídeo mostrando esses detalhes. Eles carregam um volume de até 40L e pesam 1,63Kg.

Alforje dianteiro


Ortlieb Front Roller Classic Panniers

Ortlieb Front Roller Classic Panniers: o modelo dianteiro é praticamente igual ao traseiro. O par dos dianteiros pesa 1,35 Kg e o volume é 25L. Esse modelo é ideal para ser instalado com o rack Tubus Tara, que descrevi no post anterior. É pequeno e fica muito próximo do chão, baixando o centro de gravidade na frente e mantendo a dirigibilidade.

Com os racks e alforjes instalados, a bike ficará mais ou menos assim:


Os Ortlieb em ação

Selim


Brooks B17 Standard

Brooks B17 Standard: o selim é talvez o item mais importante em termos de conforto durante a viagem. Nunca tive grandes exigências com selins, já que meus pedais costumavam ser de curta duração (de 1h a 2h). Mas isso tudo muda quando você passa de 6 a 8 horas sentado, ehehheh... Existem selins em gel, de couro, rígido entre outras combinações. Optei pelo selim da lendária marca Brooks, o B17 Standard. Ele é feito em couro duro, mas que com algumas semanas de uso ele se molda ao seu corpo e, dizem, fica MUITO confortável em comparação com qualquer outro selim, seja de gel ou outro material. Reparando em centenas de fotos de bikes de cicloturismo, você vai notar que a maioria usa os Brooks e não é à toa. Curiosidade: esse modelo existe no catálogo da Brooks desde 1898(!).

No próximo post, falarei sobre o garfo rígido e os pneus. Até mais!

21 de dez de 2009

Bike - Quadro e racks

A escolha da bike pra cicloturismo envolve muitos detalhes. Mais do que deveria. Lendo dicas de caras que já pedalaram pelo mundo todo, sempre sugeriram uma bike simples, que você se sinta confortável. Não é preciso a mais moderna, nem a mais cara, nem a mais cheia de tecnologia. Algumas qualidades que devem ser consideradas são a robustez do quadro das peças, a facilidade de manutenção e o conforto. Tudo isso pode ser conseguido com uma bike de 15 anos que está parada na sua garagem. Algumas trocas de peças e uma boa regulada num bikeshop pode ser suficiente pra você dar uma volta ao mundo. Vamos, literalmente, por partes:

Quadro


Trek 3700 ano 2009

Trek 3700: há quem diga que o quadro feito de cromo-molibdênio (cro-moly) é o ideal para cicloturismo, tanto pela sua resistência como pela possibilidade de solda simples (em caso de trincas). As mais famosas bikes de cicloturismo do mundo são fabricadas em cro-moly, como a Surly Long Haul Trucker, a Koga-Miyata Traveller, a Santos Travel Master e a Trek 520. Isso não significa que os quadros de alumínio não sejam capazes de dar conta do recado. Tudo depende do uso que se fará da bike. Os world travellers precisam confiar muito na bike, afinal, estarão pedalando pelos 5 continentes por 2 ou 3 anos sem parar. A bagagem pesada exige que o quadro aguente a tensão. Em casos de trinca, a solda no aço cro-moly é muito mais fácil de se fazer do que no alumínio. Mas esses são casos extremos em comparação a viagem que eu vou fazer.

Aqui no Brasil há de se considerar a dificuldade de se encontrar bikes novas de cromo. Eles simplesmente não existem à venda em território nacional e a importação é extremamente cara. Os cicloturistas brasileiros acabam recorrendo a alguns modelos antigos, vendidos na década de 90, quando esse material foi bastante popular até o domínio do alumínio. Eu mesmo tive uma Trek 850 ano 1995 de cro-moly mas infelizmente o quadro ficou pequeno demais para mim. Vendi ela recentemente, uma pena.

Outro problema com os quadros à venda no Brasil, sejam eles de cromo ou alumínio, é a geometria. Praticamente todos os modelos são voltados para competição/performance seja para terra (MTB) ou asfalto (Road) e suas geometrias não atendem as necessidades de conforto ideais para o cicloturismo. A posição do ciclista deve ser mais "relaxada", ereta, com alternativas de pegada no guidão para não cansar os braços e punhos.

Sendo assim, a não ser que se tenha dinheiro sobrando, pode-se importar um modelo específico para cicloturismo (alguns dos que eu citei acima custam 3.000 libras esterlinas , o equivalente a R$ 8.500,00 aqui, sem contar os impostos de importação). Caso contrário, para a maioria dos mortais como nós, a solução é adaptar mesmo. Uns fazem a adaptação com base em quadros de bike para asfalto (Caloi 10, por exemplo), aproveitando as vantagens das rodas 700c. Outros, como eu, preferem adaptar mountain bikes, também aproveitando suas características, para o cicloturismo.

Comecei a adaptação tendo como base minha Gary Fisher tamanho 21". Rodei com ela por quase dois anos, tanto na cidade e estradas de asfalto, como em trilhas e algumas provas de cross-country. Em se tratando de uma MTB hardtail, a Fisher acabou se saindo razoavelmente bem em todos esses usos. O mais importante é que pra mim ela sempre foi relativamente confortável. As adaptações iriam torná-la ideal para a viagem. Porém, como esse quadro tem a geometria Genesis da Gary Fisher, o chainstay (distância entre o centro do pedivela ao eixo do cubo traseiro) é mais curto que o normal. Percebi que essa medida deixou pouco espaço entre o alforje e meu calcanhar, mesmo fazendo o ajuste para manter o máximo de distância entre eles. Só fui descobrir isso após receber o rack e os alforjes (mais sobre eles logo abaixo). Procurei então por outro quadro, que tivesse uma geometria mais adequada e mais voltada para o conforto. Achei na Trek 3700 as medidas que eu queria. Consegui o quadro e agora a Fisher está na loja pra ser substituída pela Trek.

Rack traseiro


Rack traseiro Tubus Cargo

Tubus Cargo: a marca é reconhecidamente umas das melhores do mundo, com a vantagem de ter preços bastante acessíveis. Li muitas histórias no Brasil e no exterior de gente que teve problemas com racks no meio da viagem, em especial aqueles que usam rebites ao invés de solda. Procurei em vários fóruns e vi que o Tubus era o ideal: leve, resistente, soldado, com ótimo design e fácil de instalar.

Rack dianteiro


Tubus Tara lowrider

Tubus Tara lowrider: o mesmo pode se dizer do Tara, rack dianteiro. Segundo o fabricante, ele deve ser usado apenas em garfos rígidos. Como eu já iria mesmo trocar a suspensão por um rígido, optei por ele. O design é feito para manter o alforje bem baixo, próximo ao solo, de forma a baixar o centro de gravidade e manter a dirigibilidade da bike.

No próximo post, comentarei sobre o selim, pneus e outros detalhes da adaptação. Se você quiser mais algum detalhe sobre os itens que falei nesse post, fique à vontade para enviar seus comentários.

Até mais!

Hospedagem e alimentação

Alguns cicloturistas preferem fazer sua viagem de forma independente, levando na bike uma barraca pra acampar, utensílios de cozinha, saco de dormir e todo o tipo de coisa necessária pro acampamento. Já outros levam uma parte desses itens, de forma que, quando quiserem, poderão acampar, mas não deixam de se hospedar em albergues também. Se por um lado esse tipo de viagem proporciona mais independência (não depender de um hotel para dormir) e economia (não precisar pagar uma diária num hotel), por outro exige mais esforço do viajante pra levar esse peso adicional na bike, pra preparar comida todos os dias, montar e desmontar a barraca e mesmo lidar com o fato de não dormir numa cama confortável após um dia desgastante em que o repouso e uma boa noite de sono são merecidos. Esse é o tipo preferido de viagem de quem dá volta ao mundo, até pela falta de infraestrutura de certos países e continentes. Imagine a facilidade de encontrar um albergue no meio do Paquistão, ou no deserto da Mongólia. :o)


Mongólia


Paquistão

Repare nas fotos que os caras levam, entre outras coisas, várias garrafas de água (até de 1,5L) porque dependendo do trecho o ponto mais próximo para abastecer pode estar a centenas de Kms adiante. Não deve ser muito legal ficar sem água pedalando no meio do deserto da Mongólia. Sem contar que eles devem ter kits de ferramentas, peças, câmaras, correntes e vários outros itens pra caso de emergência. Eles simplesmente têm que ser auto-suficientes quando pedalam num lugar desses.

Outros, como eu, optam por fazer uma viagem light (chamada também de credit card touring) e se hospedar em albergues e pousadas econômicas. A ideia é levar menos coisas e mais dinheiro. Apesar de tornar a viagem um pouco mais cara, isso permite que se leve menos bagagem e tenha menos coisas pra se preocupar. O fato do meu roteiro ser todo na Europa, onde a infraestrutura hoteleira e o acesso a mercados e comida é fácil, também pesou na minha decisão. Além disso, a distância entre as cidades costuma ser bem pequena, o que facilita encontrar uma oficina de bikes, uma padaria e uma farmácia num raio de poucos kms.

Como já falei em posts anteriores, tudo depende do que o viajante está disposto a encarar. O tema dá muita margem pra discussão e se você está em dúvida qual é o ideal para você, sugiro que consulte o BicycleTouring101.com e a descrição dos tipos de cicloviagem na Wikipedia.

Hospedagem

A hospedagem na Europa, mesmo em albergues, não é tão barata pra nós, brasileiros. Pra minha viagem estou estimando algo em torno de 20 euros por noite. Na maioria das vezes, esse valor não incluirá o café da manhã. Em compensação, farei meus cafés da manhã, almoços e lanches comprando pães, frutas e sucos em pequenos supermercados, muito comuns na Europa. O que não faltam são opções. Mesmo comprando em lugares assim, não espero nada muito barato. Vale lembrar que o custo de vida lá é maior que o do Brasil.

Os albergues costumam ser bem arrumados, limpos, tranquilos e seguros. Como passarei bastante por cidades pequenas, não encontrarei o agito e a barulheira comuns em albergues de cidades grandes como Paris, Roma, Munique, Londres e Amsterdam. Por ser algo comum para os europeus e pelo volume de viajantes de bike na Europa, a maioria dos albergues terá um local interno próprio para estacionar a bike. Mesmo assim levarei e usarei minha trava de aço.

Os quartos nos albergues costumam ser compartilhados, ou seja, você geralmente divide o espaço com 6, 8 ou mais pessoas, em beliches. O banheiro pode ser dentro ou fora do quarto, sendo que a diária no primeiro custa mais caro que no segundo. A maioria dos albergues oferece algum tipo de locker (armário) para você deixar suas malas, dinheiro, passaporte, etc, trancados com seu próprio cadeado. Apesar da pouca privacidade, o albergue é o lugar ideal para conhecer pessoas de outros países, mochileiros, bikers ou estudantes.

Vou experimentar também o esquema de hospedagem do CouchSurfing. Pra quem não conhece, é uma rede de pessoas dispostas a oferecer um quarto/cama em sua própria casa para viajantes, de graça. Você se cadastra no site, procura a cidade onde quer se hospedar, vê o perfil do hospedeiro e entra em contato com ele. Se a pessoa tiver disponibilidade (e for com a sua cara), você conseguirá algumas noites na faixa. Gente do mundo inteiro usa esse sistema. Tentarei economizar uma boa grana usando ele. Pra saber mais, visite o site: couchsurfing.org

Alimentação

Na Europa é fácil encontrar praticamente todo tipo de comida, desde massas, pães, queijos, frutas, etc. Esse é um dos aspectos que não me preocupa nem um pouco. Algumas coisas são mais caras do que estamos acostumados a pagar aqui no Brasil (certas frutas são importadas, por exemplo) mas a oferta é abundante. Com a atividade física diária, vou procurar manter sempre a ingestão de carboidratos e, claro, água. Comidas leves e naturais ainda têm a vantagem de serem mais baratas também. Pães, frutas frescas, verduras, cereais farão parte do cardápio diário, sem paranóia nem exageros. O chocolate é barato, se compra em qualquer esquina e com certeza será também muito consumido. :o)

Até mais!

Roteiro - Mapa

Esse é o roteiro provisório da viagem, até agora. Muita coisa ainda vai ser alterada, é claro, mesmo depois de eu considerar o roteiro pronto, eheheheh... Só vou saber o roteiro exato depois de voltar da viagem! :o)



Por esse mapa, a distância total é de 3.250km, que pretendo cumprir dentro do período de 90 dias. Pretendo pedalar efetivamente em torno de 45 dias. Ou seja, para cada dia pedalado, terei um dia livre para descanso. Começo em Paris, em maio, sigo em direção ao leste europeu, até chegar à Budapeste. O trecho entre Budapeste a Copenhagem será o único feito de avião. O resto será todo em cima da bike. De Copenhagem, sigo para Oslo passando por Estocolmo.

Roteiro - Médias e distâncias

Como falei no post anterior, é difícil prever a média de distância diária que vou pedalar. Deixarei pra descobrir isso lá. Com certeza farei dias com kilometragem muito variada, algumas vezes 20 ou 30km e outras vezes 100 ou 120km, não sei. Tudo isso vai depender do seguinte:

Tipo de terreno: estimo que 90% da viagem pedalarei no asfalto. Os 10% restantes serão em estradas de cimento, pedrisco ou terra. Então, de uma forma geral, o terreno não vai interferir muito na média final já que o asfalto é o mais adequado para uma rolagem rápida.


Nem sempre o terreno ajuda rsrsrs

Inclinação do terreno: a quantidade de subidas que vou ter que encarar vai ser o principal fator que vai interferir na média de velocidade. Nos trechos montanhosos como na Suíça, Itália e Áustria vou fazer uma média bem mais baixa do que nas planícies da Dinamarca ou Suécia. Mesmo assim, como o roteiro vai ser distribuído em trechos muito montanhosos e trechos muito planos, uma coisa compensará a outra.

Velocidade e direção do vento: o vento será meu amigo ou inimigo durante toda a viagem, dependendo da sua direção. O vento frontal (headwind) vai exigir um esforço muito grande na pedalada, como seu eu estivesse com mais peso ou subindo uma ladeira mesmo andando num trecho plano. Nesses casos o ideal será colocar marchas mais leves, aumentar a cadência pra não forçar tanto a musculatura e, claro, ter muita paciência pra não desanimar, eheheheh... Já o vento traseiro (tailwind) faz exatamente o contrário: te ajuda na pedalada, te poupa as pernas e te dâ mais ânimo pra continuar a viagem. O vento lateral (sidewind) exige cuidado no equilíbrio da bike pois, com os alforjes nas rodas, a bike tende a oferecer mais resistência ao vento e, como consequência, estará mais sujeita a "puxar" para os lados. Se o vento é muito forte, aumenta a chance de levar uns tombos mas acredito que isso será pouco comum no meu trajeto.


Vento? Quem se importa?

Atrações e paradas ao longo do dia: conforme a cidade, vila ou região que eu estiver passando, farei várias para fotos, comer alguma coisa, tomar uma água, conversar com moradores do local, contemplar as paisagens, etc. Isso tudo acontecerá naturalmente e fará parte do dia-a-dia, sendo muito difícil estimar quanto tempo irá me tomar num determinado dia. Vou sentir isso na hora, recalculando as distâncias e tempos conforme o dia vai passando.


Algumas paisagens valem a pena

Tempo média de pedalada num dia

Pretendo pedalar em torno de 6 a 8 horas por dia, incluindo as paradas. Isso poderá me render muitos ou poucos Kms, dependendo de todos os fatores que comentei acima. Tentarei fazer a distribuição dessas horas em dois períodos, um logo de manhã e outro no meio da tarde. Nas manhãs, quero sair bem cedo e logo pegar a estrada por volta das 07h00 e 08h00, pedalando enquanto o sol estiver mais fraco e o corpo descansado. Lá pelas 11h00 já poderei começar a procurar os locais de parada, como um mercadinho ou restaurante onde eu possa almoçar. Terei tempo de almoçar, fazer a digestão e descansar, sem pressa, pra voltar ao pedal lá pelas 14h00, 15h00, quando o sol começar a dar uma trégua. Nos dias longos do verão europeu, o céu estará claro até 20h00, 21h00, dependendo de onde eu estiver, então vai dar pra distribuir o esforço diário com calma ja que os dias terão ao menos 10 horas de claridade. Não pretendo pedalar à noite por questões de segurança e pra poder descansar o corpo. Essa viagem não tem cronometragem, concorrentes nem linha de chegada. Afinal, estarei, no fim das contas, fazendo turismo.

No próximo post vou comentar sobre a hospedagem e alimentação.

Até lá!

20 de dez de 2009

Roteiro

Ainda tenho alguns meses para fechar os detalhes do roteiro mas o principal eu já defini: França, Suíça, Itália, Liechtenstein, Áustria, Eslovênia, Croácia, Hungria, Eslováquia, Dinamarca, Suécia e Noruega.

Decidi que não vou me preocupar em cumprir exatamente o roteiro planejado e muita mudança de rota pode (e deve) acontecer no meio da viagem. Alguns lugares podem ser mais ou menos interessantes. Dependendo do clima, do relevo, da minha disposição e daquilo que eu for descobrindo no meio do caminho, vou estar livre pra ficar mais ou menos dias num determinado lugar.

Dividi a viagem em 2 grandes trechos. O primeiro é na Europa continental, e vai da França até a Eslováquia, onde pretendo pedalar em torno 2.600km. De lá, vou pegar um avião até a Dinamarca, onde começo o segundo trecho na Escandinávia (Suécia e Noruega), de uns 1.100km. Ao fim da viagem, vou ter pedalado aproximadamente 3.600km.

Todo roteiro exige um exercicio de "desapego" porque a gente é obrigado a abrir mão de muitas cidades e regiões pra que tudo possa caber nos 90 dias que terei disponível. As possibilidades de trajetos são praticamente infinitas. Por que não incluir a Espanha? E a Alemanha? Por que não ficar mais tempo aqui ou ali? A Europa tem muita coisa legal, bonita, interessante e diferente pra se conhecer mas é simplesmente impossível ver tudo numa viagem só. Dê um zoom num mapa da Europa (em qualquer região que seja) e você vai entender como é difícil. Montar um roteiro assim é simplesmente restringir possibilidades. :o)

Como a Europa tem um relevo muito variado, usei essa característica pra definir os trechos em que irei pedalar. É fácil perceber, olhando no mapa aí embaixo, onde estão as regiões montanhosas e as regiões mais planas. As áreas em destaque são as regiões por onde vou passar. Depois colocarei o mapa com o trajeto exato:



O trecho inicial da França é essencialmente plano, assim como no Leste Europeu e na Escandinávia. Já na região dos Alpes, entre a Suíça e Áustria, vou pedalar numa média de velocidade bem mais baixa que nos outros trechos, não só pelas subidas e montanhas mas também pelas paisagens que vou encontrar por lá. Vai valer a pena ir devagar nesse trecho.

A média de dias pedalados ainda deixei em aberto. Já vi gente que faz mais de 100km por dia assim como pessoas que preferem ir de leve e fazem 20km/dia. Depende muito do estilo da viagem e da forma que cada um quer viver esse tipo de experiência. Não existe um certo ou errado nessa decisão. Cada um faz o que lhe agrada. É sabido que depois de alguns dias de viagem, fica muito mais fácil atingir média altas como 100 a 120km/dia (dependendo do trecho e condição da estrada) já que o corpo se acostuma e o condicionamento vai melhorando durante a própria viagem. Apesar do treino que tenho feito antes de ir, não sei exatamente qual vai ser a média que vai me agradar, tanto em termos físicos como em relação ao ritmo em que vou curtir a viagem. Deixei pra descobrir isso só quando estiver lá mesmo.

No próximo post, vou falar dos tipos de estrada em que vou pedalar e do dia-a-dia da viagem, como hospedagem e alimentação. Até lá!

18 de dez de 2009

Decidindo a data e duração da viagem

A primeira coisa que considerei ao decidir a época do ano em que ia fazer a viagem foi o clima. Pedalar com muito frio seria desagradável, mesmo usando roupas de proteção. Em segundo lugar, essas roupas adicionariam peso à bagagem. E, por fim, a neve torna o piso escorregadio, o que dificulta ainda mais a pedalada. Já de cara decidi que esses cuidados especiais para pedalar no frio não estavam nos meus planos.

Viajar no pico do verão também podia ser ruim, já que muito sol e calor podem ser muito desgastantes. Como estava pensando em pedalar em média 60 a 70km por dia, o calor excessivo poderia me obrigar a fazer pausas no meio do dia. Ou seja teria que pedalar de manhã bem cedo, pausar na horas de sol mais forte e continuar o pedal no meio da tarde, quando o sol já estivesse mais baixo. Por outro lado, os dias de verão na Europa têm a vantagem de durarem bastante, com sol até às 22h00, dependendo de onde você estiver. Quanto mais ao norte, mais longo é o dia. Assim, o dia prolongado compensaria as pausas feitas nos horários de pico.

Sendo assim, a decisão foi "fugir" do inverno e ao mesmo tempo tentar evitar o pico do verão. Como minha viagem teria a duração de 90 dias, ajustei minha ida para o início de maio, onde as temperaturas da primavera já são razoáveis (10-15 graus, dependendo da região da Europa) e a volta para o início de agosto, quando o verão está chegando no seu auge.

O roteiro também foi planejado pra adequar as temperaturas com a região que eu fosse passar. Por exemplo, o trecho da Dinamarca, Suécia e Noruega, que normalmente são frios, foi deixado para o final da viagem e lá, mesmo no pico do verão, as temperaturas estariam mais amenas.

No próximo post vou detalhar as contas de média diária de distância e dias pedalados pra aproveitar os 90 dias da melhor forma.

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Abs

Sobre o blog

Meu nome é Fernando, tenho 32 anos e minha ideia é reunir neste blog todas as informações sobre a preparação e a organização da viagem de bike que farei em maio de 2010 na Europa. Pretendo passar 90 dias pedalando entre mais de 10 países. Em breve colocarei o roteiro previsto aqui no blog.

O cicloturismo ainda é pouco difundido no Brasil e a quantidade de informações para quem planeja uma viagem longa de bike é muito escassa, assim como o acesso a produtos voltados para o cicloturismo (bikes, alforjes, peças etc). Mas a internet resolve quase tudo. Tenho recorrido aos sites e fóruns de bike estrangeiros, com um monte de gente com tudo quanto é tipo de experiência em viagens de bike, desde iniciantes como eu a caras que já deram algumas voltas ao mundo pedalando. Muitas das minhas decisões foram com base no que li por aí sobre o assunto. Espero compartilhar essa experiência pra aprender e ao mesmo tempo ajudar e estimular outros viajantes brasileiros que pretendem fazer uma viagem como essa.

Obrigado pela visita!