27 de jun de 2010

20/06 Lasko a Ptuj - 79km

Os avós da Eva insistiram para que eu almoçasse lá e apesar de Ptuj (minha próxima parada) ficar a quase 80km de Lasko, não tive como recusar. Então fiquei para o almoço (muito bom por sinal), conversamos um pouco (os avós não falam inglês então a Eva traduzia tudo pra esloveno) e saí quase 3 da tarde de lá. A Eva tinha um compromisso em Celje (perto de Lasko) então também queria ir logo embora. Esse foi um dia que senti meu corpo bem pra caramba então pedalei pra valer durante todo o trecho, quase não tive tempo de tirar fotos do caminho (apesar das paisagens não serem muito interessantes nessa região). Mantive uma média alta e logo passei por Celje e outras cidades, até chegar numa planície sem fim que ia em direção a Ptuj. Lembrei das paisagens da Patagônia, aquele plano e horizonte distante. A diferença aqui é que a região é bem úmida e cheia de verde, coisa pouco comum na Patagônia. Cheguei em Ptuj as 19h30 com chuva e frio e ainda sem lugar pra ficar. Ptuj é a cidade mais antiga da Eslovênia e é famosa pelos Thermal Spas. Fui no centro de informações turísticas e descobri um hotel BEM barato e BEM vagabundo pra passar a noite. Acho que esse foi o pior até agora mas não vou entrar em detalhes sobre a limpeza do lugar. Digamos que o banheiro do Pacaembu em dia de jogo é mais limpo que o desse "hotel". Assisti o jogo do Brasil contra Costa do Marfim na TV do quarto e achei o time razoável, ainda precisa melhorar muito pra ser campeão. O Kaká não jogou nada, só deu sorte no passe do terceiro gol, já que ele errou muitos passes o jogo inteiro. De qualquer forma, Brasil classificado, aguardando o adversário das oitavas.



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19/06 Ljubljana a Lasko - 80km

Antes de sair de Ljubljana, parei num bar pra tomar um café da manhã, muito bom por sinal. Capuccino, omelete com presunto e queijo, suco de laranja e um croissant. O tempo não estava muito bom, mas pelo menos não estava frio. O frio é pior que a chuva pra pedalar, porque as roupas parecem que nunca mantém seu corpo na temperatura que você gostaria. Ou você passa frio ou sua demais, enche o saco às vezes. De novo passei por tudo que é paisagem, algumas pequenas montanhas, rios, planícies, vilarejos e finalmente vi paisagens realmente feias na Europa. Algumas cidades pareciam abandonadas, sujas, mal cuidadas, estradas ruins, etc. Era fácil perceber que a infraestrutura fora dos grandes centros é bem precária na Eslovênia, mas mesmo assim não vi nada parecido com a pobreza como conhecemos no Brasil. Alguns kms antes de chegar em Lasko encontrei um casal de ingleses, na casa dos 50, viajando como eu, numa tandem (bike de 2 lugares) toda carregada com alforjes. Eles estavam vindo da Inglaterra e seguiam para Viena. Eles foram muito simpáticos comigo e conversamos alguns minutos antes de seguir viagem. Mais um pouco e cheguei em Lasko, onde tive que esperar umas horas pela Eva, minha CS lá, que ainda não estava na casa dela. Matei o tempo numa pizzaria em Lasko, que é bem pequena e de famosa só tem a fábrica de cerveja mesmo. E assim que deu horário, fui pra casa dela, que me recebeu super bem e me apresentou seus avós que moram junto na casa. Tomei banho e mais tarde fomos comer num restaurante. Conversamos muito, falamos sobre o CS, sobre a vida em Lasko, sobre Ljubljana e ela contou sobre os CSurfers que já recebeu e Lasko e das vezes que ela e o namorado usaram o CS em alguns lugares na Europa.



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18/06 Ljubljana

É, hoje o tempo não quis colaborar. chuva pesada e frio o tempo todo. Matei o tempo no albergue, que apesar de imundo tem internet de graça, ahahhah... Saí só pra comer e nem tirei fotos. Uma coisa engraçada aconteceu à tarde, quando encontrei o Daniel no saguão em frente aos quartos e ele comentou sobre um cara que tava dormindo numa das camas no nosso quarto desde a tarde. O cara dormia feito pedra e deitou com a roupa toda, inclusive sapato. O Daniel desconfiou que ele não fosse hóspede e a gente sabia que no nosso quarto éramos só nós 3 (eu, ele e o Matthew) naquele dia, até então. Descemos até a recepção pra tirar a dúvida com a mocinha que trabalhava ali e ela disse que nosso quarto só estavam nós 3 mesmo, ahahahah... Sei lá como o cara entrou e chegou até o quarto mas o fato é que um completo desconhecido estava dormindo na cama ao lado da minha. Lá fomos nós e a mocinha pro quarto pra acordar o cidadão e pedir pra ele se retirar. O cara tava bêbado pra cacete (ele usava um crachá com alguma coisa sobre a Copa/futebol) e deve ter ido pro albergue depois de algum jogo que teve aquela tarde. Ele era esloveno e a mocinha disse pra ele sair imediatamente ou iria chamar a polícia. Ele tava meio perdido ainda mas se levantou e no fim saiu sem problemas. Ela ficou super sem graça e se desculpou com a gente. Não fiquei preocupado porque apesar de tudo o albergue tinha lockers com cadeado então todas as minhas coisas ficavam trancadas no armário. No fim não aconteceu nada de mais e demos risada da situação, que podia ter sido mais "perigosa", digamos. E são coisas desse tipo que ficam pra sempre na memória da viagem, eheheheh...

17/06 Ljubljana

O tempo estava ruim de novo logo cedo então decidi ficar mais um dia na cidade pra ver se melhorava. Não queria sair com chuva e frio no dia seguinte e no fim das contas deu certo. Aos poucos o tempo melhorou e saí pra tirar umas fotos. Voltei pro albergue e conheci o Matthew, um inglês que estava no nosso quarto e combinamos mais tarde (eu, o Daniel e ele) de ir num bar da Metelkova Ulica, uma rua famosa pelas grafites nas paredes e todo o tipo de arte de rua, com sucatas e coisa do tipo. O lugar é quase hippie, bem legal, e entramos num bar com música ao vivo. O som era alternativo e fácil de definir: um tipo de jazz com folk com rock com Flaming Lips, Radiohead, Sigur Ros e Tom Waits tudo misturado, ahahahah... Tomamos a cerveja mais famosa da Eslovênia, chamado Lasko, que leva o nome da cidade onde é fabricada e que por acaso é a próxima cidade pra onde eu tô indo.

16/06 Ljubljana

Acordei tarde de novo, acho que foi pra compensar todos os dias que tive que acordar cedo pra pedalar então não perco a oportunidade porque nunca sei como serão os dias seguintes. Almocei num restaurante perto do hostel (que é perto do centro e de tudo) e passei boa parte do dia andando pelas ruas. Ljubljana é uma cidade bem legal pra passear à pé. O prédio do albergue fica exatamente em frente ao rio Ljubljanica, que cruza a cidade. Em volta do rio existem várias pontes, normalmente pequenas já que o rio não é largo. E parace que toda a vida da cidade está nessas ruas em volta do rio. O ponto principal da cidade é o Tromostovje, o nome das três pontes paralelas que chegam na Prešernov trg, uma praça central. Não tirei muita foto porque não queria carregar nada comigo hoje, só minha carteira, até porque o tempo não tava muito bom. Tem dias que eu prefiro ser só um espectador da cidade e não um turista tirando fotos compulsivamente.

15/06 Begunje a Ljubljana - 60km

Combinamos de acordar às 7h só pra isso e jogamos até um pouco antes das 7h30, quando a Marija teve que levar ela pra escola. Ela me deu um abraço, disse que adorou minha visita e pediu de novo pra eu ficar mais um dia. Uns minutos depois a Marija voltou e eu já estava pronto pra ir. Ela anda de bike também então fez questão de me acompanhar até uns 10km de Begunje, no caminho pra Ljubljana. Agradeci por tudo o que ela fez por mim lá e segui adiante carregando mais essas lembranças boas da viagem. Hvala, Saša, Nina e Marija! A estrada até Ljubljana não era muito boa, mais movimentada que o normal e o asfalto ruim especialmente próximo do acostamento, que era de terra. Passei por tudo que é tipo de asfalto, movimento e paisagem. A entrada da cidade foi por uma avenida gigante que vai até o centro então foi fácil chegar onde eu queria. Ljubljana, que é a capital, tem 280.000 habitantes. Apesar disso, a cidade parece maior devido ao centro movimentado, turismo, universidades e estradas que ligam com outras cidades e países. Achei um albergue barato que ficava a 1 minuto dos calçadões centrais e fiquei por lá mesmo. À noite, dei uma volta pelas redondezas mas o tempo estava ruim, garoando, e achei melhor voltar pro albergue, esperando que o dia seguinte fosse melhor.



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14/06 Begunje

De manhã nós fomos pra um mirante perto de Begunje, onde é possível ter uma visão bem legal de toda a região deli, inclusive o lago de Bled. A mãe da Saša fez questão de nos levar até lá de carro e foi bem legal. Voltamos pro almoço e depois assistimos algum jogo da copa. O pessoal aqui na Eslovênia tá bastante confiante no time deles. Claro que não vão ser os campeões mas já estão fazendo muito mais do que imaginariam. Dá pra ver gente nas ruas com camisetas e bandeiras da seleção eslovena, lembra um pouco o que temos no Brasil, claro que em proporção muito menor. A tarde fui com a Nina colher morangos silvestres num jardim que fica no fundo da casa e depois a mãe da Saša nos levou novamente pra um passeio em Bohinj, que todos dizem que é mais bonito que Bled (e também achei!). Durante o inverno existe uma estação de esqui ali e no verão você pode ver o lago do topo da estação, usando um cablecar (tipo de um teleférico). A vista lá de cima é animal e o tempo ajudou bastante. Tiramos umas fotos e voltamos pra Bled, uma viagem de quase uma hora no meio de uns vales bem legais. A região ali é pra ser explorada com mais calma, foi uma pena que eu não tive mais tempo pra ficar por ali, talvez numa próxima vez. Chegamos no apto e passei todo o resto da tarde e noite jogando jogos com a Nina (que ganhou de mim quase todos!), de dominó à xadrez chinês, ehehheheh. No fim da noite ela insistiu MUITO pra que eu ficasse mais um dia lá e foi difícil dizer não, fiquei com pena de ter que embora. Foi tudo muito legal e me trataram como um parente próximo, sei lá. No fim nem me despedi da Saša porque ela ficou o resto do dia no quarto estudando pra uma prova de inglês que iria ter na escola no dia seguinte bem cedo e quando eu fui dormir ela já estava dormindo. A Nina pediu pra que eu acordasse bem cedo porque ela ainda queria jogar mais um jogo comigo antes de ir pra escola, ahahahha...

Marija, Nina e Sasa