28 de mai. de 2010

26/05 Domodossola a Locarno - 82Km

Hoje que eu queria acordar cedo não tive sorte. Lá pelas 7h30 tava caindo uma chuva e voltei a cochilar um pouco. Só porque eu falei ontem que o tempo não podia estar melhor. Mas no fim dei sorte porque lá pelas 9h00 a chuva parou e até fez um sol. Antes da sair da cidade, parei numa loja de bike e perguntei pro pessoal de lá qual seria o melhor caminho pra Locarno. Eu tinha duas opções: cruzar as montanhas do Centrovalle (uns 600m de elevação, aprox. 40km) quase que em linha reta pra Locarno ou ir por Verbania seguindo o lago Maggiore (plano mas mais longo, aprox. 80Km). Depois de muito pensar, decidi fazer o caminho mais longo mesmo porque não tinha muita informação sobre a altimetria do trecho da montanha e não quis arriscar uma viagem muito puxada, já que era meu terceiro dia seguido de pedal. Fui por Verbania e logo cheguei na beira do lago Maggiore. Como em Verbania eu tava na metade do caminho, resolvi parar pra almoçar. Acho que foi meu primeiro almoço pra valer nos dias de pedal. Parei lá pelas 13h00 pra comer e me reabasteci com carboidrato (batata, penne à bolonhesa e pão) e glicose (sorvete). Segui a viagem mais disposto. Todo o trajeto era na estrada à beira do lago, que me lembrou muito a Rio-Santos no trecho de Ubatuba: verde por todos os lados, curvas fechadas e o ar quente e úmido. Depois de uns 20km cruzei a fronteira da Itália com a Suíça de novo. Já de cara a estrada e a sinalização eram melhores que as italianas. Sim, os suíços são "chatos" a esse ponto. Tudo é organizado e limpo de tal maneira que não tem como você não reparar e comparar. Andei mais uns kms e a chuva que ameçou o dia todo resolveu cair, justo quando faltava 10km pra eu chegar. Sei lá porquê, a chuva me deu uma animada e pedalei num ritmo mais forte passando por Ascona (que é grudada com Locarno) e mais um pouco cheguei em Locarno. Encontrei o Youth Hostel daqui (categoria top hostel da HI) e decidi ficar. Saí pra fazer umas compras no Coop e comer uma pizza e assim que voltei pro albergue começou uma chuva forte com raio e trovões. Aproveitei pra olhar no mapa qual seria meu destino pra amanhã e decidi fazer uma pequena mudança de rota. Ao invés de seguir para Lugano (Suíça) e entrar na Itália novamente em direção ao Parque dello Stelvio (passo de uns 2500m) e voltar de novo pra Suíça depois, vou seguir na diagonal por dentro da Suíça em direção à Landeck (Áustria) e de lá o roteiro segue o mesmo, descendo em direção à Eslovênia. No caminho até Landeck existem vários passos e vou tentar atravessar algum - ou alguns - deles. Já tô precisando fazer uns ajustes nos cabos de freio e câmbio da bike, além de dar uma calibrada nos pneus, mas fora isso, a bike tá igual um trator. Acho que o garfo rígido e os pneus Schwalbe 1.75 deram realmente conta do recado! Não tive nenhum furo até agora com mais de 500km rodados e me senti seguro com eles na chuva e asfalto molhados. Não senti nenhuma falta de suspensão. O selim Brooks de couro tá com o formato da minha bunda e nem lembro que ele existe. Quem tem dúvida, pode comprar que é uma beleza. Amanhã vou dormir sei lá onde, com certeza em alguma cidadezinha depois de Bellinzona. Vou descobrir por lá, vamos ver o que encontro.

Estádio do Morumbi à 1,5 Km


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25/05 Simplonpass a Domodossola - 42 Km

Combinei de tomar café na casa do Hanspeter às 08h30 e ficamos conversando por quase uma hora. Na hora de ir embora, ele ia pegar um ônibus até Simplon Dorf (a vila) e eu seguir meu caminho na mesma direção. Nos despedimos e ele disse para eu parar em Gondo (ainda na Suíça, onde fica a fronteira com a Itália) e falar um oi para a Rita, sua esposa. Da saída de Simplonpass até Gondo foi uma descida só. Praticamente não precisei pedalar. Só fui mais devagar por causa das paisagens e das fotos. A média nesse trecho foi de 50 km/h e cheguei na máxima de 65 km/h sem esforço nenhum. Foi a compensação pela subida de ontem, claro. Parei em Gondo (oitenta habitantes), incluindo a Rita, e visitei ela no centro de informações turísticas onde ela trabalha. No prédio ao lado, fica um museu que conta a história da exploração do ouro naquela região, que começou 3 séculos atrás. Um detalhe sobre a estrada de Simplonpass é que ela foi construída a mando do Napoleão (o primeiro) que queria usar essa rota como um acesso estratégico entre os alpes e o norte da Itália, isso nos idos de 1700/1800. A estrada não ficou pronta enquanto ele estava vivo então e no fim nunca foi usada com esse propósito. Com a corrida do ouro, ela passou a ser útil e atualmente é bem importante para o transporte de carga entre os dois países. Todas as cidades entre Brig a Domodossola estão mais para pequenos vilarejos. Simplon Dorf tem 300 habitantes, Gondo tem 80 e as outras são mais ou menos assim. Domodossola, que é "grande" pra região, tem 16.000 habitantes. Tomei uma coca com a Rita no bar do museu em Gondo, que fica junto ao centro de informações onde ela trabalha e conversamos por mais de uma hora. Me despedi e 50m depois atravessei a fronteira da Suíça e entrei na Itália. A descida continuava mas a diferença da qualidade do asfalto, das placas de trânsito e da sujeira na estrada eram fáceis de perceber. Logo a descida acabou e a paisagem se tornou essencialmente plana, como se seguisse o vale, as montanhas com neve foram ficando pra trás assim como o vento gelado que a gente sente à 2000m. O calor era tão grande perto de Domodossola que a barra de chocolate que eu levava na bolsa do guidão derreteu tanto que quase virou líquido. Segui pela estrada (movimentada, com bastante túneis e caminhões) por mais 20Km até Domodossola. A chegada na cidade não foi das mais agradáveis já que os motoristas não são tão educados como os franceses/suíços e a qualidade do asfalto faz diferença se você está viajando de bike. Passei por alguns buracos pequenos mas, mesmo assim, dá pra dizer que o asfalto italiano é melhor do que a maioria dos pavimentos no Brasil então não tive nenhum problema sério com isso. O problema é que fiquei mal acostumado com as estradas suíças. Logo encontrei uma pensão boa e barata (35 euros com café da manhã), me acomodei e saí pra dar uma volta pela cidade, uma típica cidadezinha italiana. Pizzaria e sorveteria em toda esquina, gente buzinando no trânsito, scooters, sobrados antigos com roupas secando nas sacadas, aquela coisa toda que a gente vê em filmes, rsrsrs... Amanhã pretendo ir à Locarno (Suíça de novo) e a viagem deve ter entre 40 e 50km de estrada plana. O tempo não poderia estar melhor e espero que continue assim.



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